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O Esperanto é ensinado e praticado em diversas cidades em Pernambuco.

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O congresso de 2015 foi no Rio de Janeiro.
Veja como foi na página da Liga Brasileira de Esperanto

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Viva essa experiência!

Set 25 2017

Ouviu falar de Esperanto na sua adolescência? Só começou a estudar muitos anos depois? A capacidade de falar o idioma lhe deu oportunidades únicas de viagem e amizades? Se você se identifica com esses pontos, você não é o único. Quer conhecer mais um relato parecido?

 A seguir você lerá a trajetória de Rodrigo Tavares, de Natal, e como seu interesse pelo Esperanto o levou a um congresso nacional em Mato Grosso e a uma visita em Recife. Rodrigo tem se notabilizado pelo seu esforço em consolidar os Clubes Poliglotas e no seu engajamento no movimento esperantista, em especial no fortalecimento da Associação Potiguar de Esperanto. 

 

Quando iniciei o aprendizado do Esperanto não imaginava quantas experiências interessantes teria acesso por meio desse idioma e do movimento esperantista, apesar de ser um estudante indisciplinado que tentou aprendê-lo em diferentes momentos da vida. Finalmente, descobri o meio que me manter a motivação e a dedicação necessários: viver o idioma.

            Conheci o esperanto quando ainda estava na adolescência com Ivaldo Alves de Souza, médico membro da Associação Potiguar de Esperanto, em uma feira de ciências na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Gostei do que ele me apresentou e decidi que um dia aprenderia ao menos um pouco sobre a língua internacional.

            Como nunca tive facilidade em estudar idiomas, posterguei esse objetivo e muitos anos se passaram até que em 2010, motivado pela vontade de superar esse desafio, busquei a Associação Potiguar de Esperanto, participando de algumas reuniões. Após isso, viajei para o II Esperanto Jovens Nordeste, que ocorreu em Caucaia, no Ceará. Havia feito o Kurso (www.kurso.com.br/) e estudado um pouco do idioma no Lingq.com, bem como o curso Ana Pana com ajuda pela internet do Adelson Sobrinho, professor de esperanto do Ceará. Foi uma experiência muito rica e interessante, mas infelizmente minha capacidade de conversar era quase nula, pois não praticava. As palavras e frases que mais recordei após isso foram as aprendidas durante o evento presencial com os demais participantes, como “brosi la dentojn” (escovar os dentes).

           Após isso, motivado pela facilidade que conheci no esperanto, acabei me interessando em outros idiomas, como o espanhol e o inglês, estudando pela internet e recebendo nativos em minha casa através do Projeto CouchSurfing (www.couchsurfing.com).

            Em novembro de 2016, quando participei da Poliglotar - Conferência Poliglota de Fortaleza (http://www.poliglotar.com/) tive a oportunidade de reencontrar Hilbernon Almeida (participante do II Esperanto Jovens Nordeste), conhecer pessoalmente Jurobola Almiscarado Lopes e Emerson Werneck, dentre outros esperantistas. Fiquei impressionado com a habilidade dos mesmos no uso do Esperanto e ao mesmo tempo um pouco envergonhado com o meu pouco progresso após tantos anos postergando a dedicação necessária.

            Ao voltar para casa motivado pelos excelentes resultados que vi no Clube Poliglota Fortaleza iniciei no dia 19/11/2016 as reuniões gratuitas do Clube Poliglota Natal, abertas para todos os interessados em aprender idiomas. Ao conversar e convidar Luana França (com quem havia viajado em 2010 para Caucaia), bem como convencido da importância histórica e cultural da entidade, fui convidado a participar das reuniões da Associação Potiguar de Esperanto. Assim, tive a oportunidade de conhecer a experiência no esperanto de Luana, Marcos, Jason, Luiz, Graça, Ereni, Ricardo, Ivanilson, dentre tantos outros.

            No início, a maior parte da prática no Clube Poliglota Natal consistia no inglês, espanhol e francês. Em fevereiro de 2017, indicado como um interessado em aprender e praticar o Esperanto por Luana da Associação, conheci Leandro Macedo. Para além da prática semanal de conversação em Esperanto que passamos a realizar, Leandro assistia com frequência aos vídeos disponíveis na internet, especialmente os de Richard Delamore (Evildea), enquanto eu preferia o curso La Teoria Nakamura, do Lernu  (https://lernu.net/pt/kurso/nakamura).

            Com essa parceria iniciamos o estudo e a prática presencial com todos os esperantistas que pudemos, tentando conversar unicamente em esperanto, interagindo com falantes locais e de outros estados. Com esse objetivo, participamos ainda em fevereiro dos eventos 19º Encontro Nordestino de Esperanto e o 5º Encontro de Jovens Esperantistas do Nordeste (https://www.youtube.com/watch?v=8onDQGQGcfQ), que ocorreram em Campina Grande – PB. Neste evento foi possível perceber como o movimento da juventude esperantista (Organização da Juventude Esperantista Brasileira – BEJO) é forte, bem como reencontrar os conterrâneos esperantistas Ereni Pereira (http://esperantoemfoco.blogspot.com.br/2014/04/esperanto-lingua-internacional-editor.html) e Astrogildo Medeiros (https://www.pintaram.com/u/astromedeiros). O evento nos permitiu ganhar mais motivação ao conhecermos pessoas que, apesar do relativo pouco tempo de estudo, já dominavam muito bem o idioma, bem como outras já bastante experientes no movimento.

            Após meses de prática, em junho seguimos para o Congresso Brasileiro de Esperanto, que ocorreu em Sorriso, em Mato Grosso. Visitamos alguns municípios antes, com um ônibus de esperantistas de várias regiões do Brasil, especialmente de Brasília. Desse modo, conhecemos o Paulo Nascentes, o Josias Barboza, o Wendel Pontes, dentre tantos outros que nos ajudaram a aprender um pouco mais da história e da força do movimento esperantista em várias regiões do Brasil. Além disso, encontrei pessoalmente o Vinício de Assis (sou o esperantista de Natal a quem ele se refere – http://www.esperanto-pe.org/index.php/component/content/article/2-uncategorised/111-jovem-de-abreu-e-lima-participa-de-congresso-nacional-de-esperanto). Todos bastante ativos em diversos eventos locais, nacionais e internacionais. O evento em Sorriso também foi rico em oportunidades de prática, apresentação de ideias e práticas, bem como em deliberações. A parte cultural também não deixou a desejar, com a apresentação da peça de Amarílio de Carvalho, a música de Emerson Santos e outros artistas.

            Desse modo, através do diálogo e amizade com muitos esperantistas, foi possível superar os desafios e viver um pouco no idioma ao longo desses meses, permitindo ganhar mais motivação e interesse para praticá-lo. Assim, seguimos buscando oportunidades para aprofundar o nosso conhecimento do idioma e do movimento esperantista. Tivemos a visita em Natal de nossos amigos Emerson Santos (Piaçabuçu – Alagoas) e Ana Ribeira, de Campina Grande (https://www.youtube.com/watch?v=xQIQkOsp_pk). Em nossas reuniões semanais voltadas para o estudo e formação de falantes nesta língua internacional, o profundo conhecedor do idioma Marcos Campos (https://www.youtube.com/watch?v=PFvZ2NESXZ4) tem sido fundamental para o nosso progresso, auxiliando na correção de erros e orientando para o uso mais adequado do idioma, bem como apresentando mais sobre o movimento. Além disso, há a recepção de novos interessados, estimulando a formação de novos esperantistas em Natal e região.

            Dando continuidade de conhecer mais a história do Esperanto e fortalecer essa ligação entre os movimentos em âmbito regional, eu e Leandro resolvemos visitar o amigo Wendel Pontes, presidente da Associação Pernambucana de Esperanto, com quem havíamos tido excelentes conversas durante o tempo em que estivemos em Mato Grosso. O objetivo era praticar o Esperanto enquanto conhecíamos a capital pernambucana e a associação. Embora já estivesse outras vezes na cidade, nunca havia tido tempo para explorar a parte cultural e histórica da capital pernambucana.

            Neste sentido, na sexta-feira tão logo chegamos em Recife na sexta à noite nos reunimos com Wendel e seguimos para uma pizzaria. Em todos os momentos conversamos unicamente em esperanto, apesar da tentação de conversar algo em português. Após o jantar, Wendel teve a gentileza de nos levar a um hotel próximo ao Recife Antigo, haja vista nosso interesse em percorrer  os principais pontos turísticos e culturais do local.

            Logo após o café da manhã, com um pequeno roteiro organizado com informações obtidas na internet, seguimos pela Ponte Maurício de Nassau (no mesmo local em que havia a primeira ponte da América Latina, de 1643) aproveitando para fazermos fotos com o rio Capibaribe e a paisagem. Como apaixonado pela história fiquei bastante feliz em perceber a riqueza de placas com as datas e as principais informações dos locais em que passamos. Há muitas estátuas por toda a cidade. Passamos pela antiga sede do Diário de Pernambuco, que foi fundado três anos depois da independência do Brasil (informação que constava na placa do prédio). Depois fotografamos com o tradicional letreiro com o nome ‘Pernambuco: coração do nordeste’, próximo ao Paço Alfândega Shopping, às margens do rio Capibaribe. Mais à frente, já no Marco Zero, na Praça Rio Branco, outra fotografia importante com o letreiro com o nome ‘Recife’.

            Atravessamos em uma pequena canoa até o Parque das Esculturas de Francisco Brennand, que, mesmo após tantos anos de ser inaugurado (2000), estava em bom estado de conservação, sem a presença de pichações. Foi uma experiência bastante agradável, com uma bela paisagem. As esculturas são bonitas e valem a pena serem visitadas, proporcionando boas fotos.

            Voltando à Praça Rio Branco, vimos o Marco Zero, o local em que a capital pernambucana começou. Em seguida, fomos para a Rua do Bom Jesus, antiga Rua dos Judeus, visitando a Embaixada de Pernambuco - Bonecos Gigantes de Olinda. Aos visitantes, nossa sugestão é que estejam atentos aos diferentes tipos de chapéus disponibilizados para as fotografias junto com os bonecos gigantes. A ideia é entrar no ritmo da brincadeira e bom humor do povo pernambucano.

            Após isso, fomos para a sinagoga mais antiga das Américas, a Sinagoga Kahal Zur Israel, localizada na mesma rua. Sendo sábado, o prédio estava fechado, mas obtivemos boas fotos junto à fachada. No posto de informações turísticas, localizado na Praça do Arsenal, recebemos orientações de lugares que poderíamos visitar e um mapa, o que foi bastante útil. Passamos no Campo do Erário Régio ou Campo da Honra (fachada do prédio vizinho ao Palácio, ao lado do Batalhão de Guardas, na Praça da República). Nele havia uma placa sobre a importância do local na Revolução Republicana de Pernambuco em 1817. Ficamos impressionado com a quantidade de referências históricas a esse movimento, tão ausente em João Pessoa e Natal.

            Vimos a beleza do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, que apresenta uma beleza estonteante. Visitamos a estátua de Maurício de Nassau, que fica na Praça da República, bem como as das deusas guardiãs do lugar (Ceres, Diana, Flora, Juno, Minerva, Níobe, Vesta e Têmis). Adiante encontramos a Igreja Madre de Deus, concluída em 1720. Impressionante por fora e muito bela por dentro, certamente uma das mais interessantes que encontramos.

            Semelhante ao que ocorre no Rio de Janeiro, Recife apresenta várias estátuas bem realistas, como o Circuito da Poesia, que homenageia 16 pernambucanos que se destacaram na música e literatura, com o Chico Science e o Luiz Gonzaga. Aproveitamos para conhecer alguns, pois além da estátua sempre havia alguma placa com texto explicativo.

            No Forte das cinco pontas vimos mais informações sobre a revolução republicana de 1817, canhões, conflitos entre a metrópole e a colônia, liteiras do tempo da escravidão, dentre outros objetos e livros da época. Vale muito a visita. Encontramos com Wendel e seguimos para almoçar em um restaurante chinês.

            Após isso, fomos conhecer o Instituto Ricardo Brennand. Logo na entrada ficamos impressionados com o tamanho do local. Durante toda a visita praticamos o esperanto enquanto conhecíamos uma diversidade de armas, armaduras, marfins entalhados, esculturas, objetos de arte, dentre uma infinidade de artefatos de diferentes épocas e continentes. Neste momento, realizamos pequenos vídeos publicados na página do Facebook da Associação Pernambucana de Esperanto (https://www.facebook.com/pg/Associa%C3%A7%C3%A3o-Pernambucana-de-Esperanto-505572052811752/videos/?ref=page_internal).

            Neste sentido, para mim, enquanto um amante da história, esse momento foi um dos mais incríveis que já vivi. Certamente, pretendo voltar outras vezes, haja vista ser quase impossível apreciar as obras de uma única vez. É uma experiência espetacular para todos que gostam de histórica, cultura e arte.

            Saímos do Instituto e fomos conhecer a sede da Associação Pernambucana de Esperanto (APE). Podemos afirmar que o local guarda tesouros para a história do movimento esperantista no nordeste e no Brasil. Há fotos, recortes de jornais, atas, registro de seus membros, a comunicação entre membros com outros falantes no Brasil e no mundo. Trata-se de algo verdadeiramente encantador ver o registro preservado de um movimento que remota aos primeiros anos do século vinte na cidade e região.

            Não menos importante é o acervo incrível da biblioteca do local, composto em parte pela doação de obras de esperantistas falecidos, dentre os quais as pertencentes a Ivaldo Alves de Souza.  O cuidado com as obras demonstra que esse reconhecimento é merecido, sendo uma importante oportunidade de aprendizado e acesso à cultura produzida em esperanto. Consiste em um desafio a busca por pessoas que possam estudar e escrever mais sobre essa coleção tão rica.

            Fomos, então, para o Shopping Boa Vista, no qual ocorre semanalmente as reuniões do Clube Poliglota Recife, encontrando Luiz Joaquim da Silva Neto, um esperantista bastante competente, que também estuda outros idiomas. Tivemos um rico momento de diálogo.

            Seguimos para o hotel para o descanso necessário. Como era dia dos pais, fizemos a despedida de nossos colegas, pois reservamos o domingo para realizar várias atividades.

            Iniciamos o dia com uma participação no “Seguindo os Campanários - Caminhada pelo centro do Recife com vista para as principais construções históricas e se guiando pelos campanários e torres das igrejas”, promovido gratuitamente pelo projeto Olha! Recife (http://www.olharecife.com.br/agenda.php). Sendo pontual, o grupo saiu com mais de 20 pessoas. Foi um passeio que permitiu conhecermos mais sobre o passado da cidade e suas construções religiosas, além de obtermos mais dicas sobre locais que poderíamos visitar naquele dia.

            Um dos participantes nos acompanhou até a Casa da Cultura de Pernambuco, um lugar enorme, que funcionou como prisão durante 118 anos. É incrível imaginar que até mil pessoas ficaram presas ao mesmo tempo por lá. Hoje é um espaço bastante amplo, com muitas curiosidades e atrativos peculiares do estado, como lojas de artesanato.

            Posteriormente, fomos ao Museu do Trem do Recife, um lugar com muita história, vagões, peças, materiais, vídeos sobre muitos aspectos ao uso desse veículo e o papel que desempenhou na história de Pernambuco e do mundo. É um pouco triste perceber que esse meio de transporte perdeu muito de sua importância no estado e no Brasil, apesar de ser um recurso relevante nos principais países do planeta. Esperamos que esse recursos ainda ganhe o reconhecimento e o investimento necessários em nosso país. O interessante foi encontrarmos um escafandro antigo que nos chamou bastante a atenção, pois só havíamos visto algo assim em filmes.

            Como a fome chegou, caminhamos até o Mercado da Boa Vista, no qual saboreamos uma excelente comida em um ambiente agradável e repleto de outros visitantes. Seguimos até o Paço Alfândega Shopping, no qual obtivemos uma vista privilegiada do Rio Capibaribe e da própria cidade.

            Passamos pela CAIXA Cultural Recife, na qual participamos da exposição Ukiyoe – A Magia da Gravura Japonesa, composta por mais de 200 obras, entre gravuras e máscaras, feitas entre os séculos 17 e 19.

            Seguimos para a Sinagoga Kahal Zur Israel, na qual foi possível entrar e ver a estrutura histórica do primeiro prédio religioso judeu das Américas, dentre uma composição da história deste povo no Brasil e no mundo.

            Finalizamos nossa viagem no leão de barro do Mestre Nuca (Manoel Borges da Silva), uma obra gigante que reverencia esse artesão ceramista pernambucano.

            Por fim, voltamos felizes para Natal com todas essas experiências. Certamente, retornaremos, pois há ainda muito por conhecer na cidade. Entretanto, retornamos satisfeitos quanto às atividades que pudemos realizar durante esse curto período. Somos gratos à Associação Pernambucana de Esperanto (APE), na figura de seu presidente, o Wendel Pontes, pela excelente recepção e apoio que tornou nossa viagem ainda mais inesquecível e útil para nosso aprendizado sobre o Esperanto e o movimento esperantista.

 

           Rodrigo Tavares (Natal - RN)

 

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