Jul 17 2018

Este ano, o 53º Congresso Brasileiro de Esperanto ocorreu em Curitiba. Pernambuco teve participação que não se via há décadas, contando com seis esperantistas, a grande maioria composta especialmente  por jovens. Por causa disso, pedimos para um deles escrever suas impressões sobre o maior evento esperantista do Brasil.

 

Pedimos para Filipe dos Santos, esperantista de Serra Talhada e congressista, dar suas impressões sobre o evento e sobre sua experiência no congresso. Você pode conferir seu texto a seguir:

Eu me chamo Filipe dos Santos, esperantista desde dezembro de 2017, e membro da Associação Pernambucana de Esperanto. Embora esperantista de curta data, graças ao esperanto eu pude vivenciar grandes momentos, e ter oportunidades que jamais teria fora da Língua Internacional.

Entre os dias 31 de maio, e 03 de junho, na capital do Paraná, Curitiba, ocorreu o 53° Congresso Brasileiro de Esperanto, e o 38° Congresso da Juventude Esperantista, e eu pude ter minha viagem subvenciada pelas Associações Pernambucana e Potiguar de Esperanto, pois estas reconheceram meu interesse pelo aprendizado e divulgação da língua na minha região.

Essa foi a minha primeira viagem para um local tão distante, no Sul do Brasil. Lá eu vivi momentos, e conheci pessoas que jamais poderia imaginar, os grandes nomes do Esperanto no Brasil estavam lá e pude ter a honra de conhece-los.

Um dos principais motivos pelos quais eu quis ensinar o Esperanto em Serra Talhada, foi para poder encontrar novos jovens para o movimento, pois segundo o meu ver (na época), o movimento estava ocupado, em sua maioria, por pessoas de idades mais avançadas. Porém, em Curitiba minha visão mudou, pois lá eu vi a força da juventude Esperantista no Brasil, não só em número de membros, mas também pelas potencialidades de cada um deles.

Quando tudo estava pronto para a viagem, eu comecei a cogitar muitas coisas acerca do evento: será que eu vou conseguir me integrar bem com o pessoal? Será que vou encontrar algum tipo de preconceito por ser nordestino? Entre outros questionamentos. Mas pouco a pouco, os outros participantes foram tirando essas abobrinhas de minha cabeça, e me surpreendendo positivamente a cada contato.

Eu e Querino Neto (Alagoas) fomos uns dos primeiros a chegar no alojamento, e pouco a pouco fomos recebendo os mais de 40 jovens que se instalaram lá. O local foi ficando cada vez mais cheio, com uma variabilidade de sotaques e culturas cada vez maior. Ouso dizer que o alojamento foi uma das partes mais importantes desse congresso para mim, pois lá, com conversas descontraídas e informais, eu pude aprender muito sobre o nosso país. De cultura Amazônica à gastronomia gaúcha, eu pude conhecer lá. Isso sem contar nos laços de amizades criados, pois a atmosfera da juventude esperantista é algo que só quem vive consegue compreender.

O local do evento era lindo, enorme, com pinturas gigantes mostrando aspectos históricos do Brasil, como por exemplo a vinda dos portugueses, e a escravatura. Pessoas de vários locais do Sul expuseram suas comidas típicas, seus livros e histórias, suas vestimentas, artesanatos, e muito mais. Isso sem falar das apresentações artísticas, com danças típicas de vários países do mundo. Foi de fato algo de impressionar.

Tem que se elogiar também a programação do Congresso, onde os conteúdos eram muito diversificados, de discussões de assuntos polêmicos, à cultura e filosofia da Romênia, foi uma reunião de conhecimentos do mundo, seja em questões didáticas para o aprendizado de novas línguas, até questões de teor mais científico.

Durante as palestras, tão próprias e diversificadas, eu pude perceber uma excelente virtude do movimento esperantista, todo mundo tem voz, o conhecimento de cada membro é muito importante e valorizado pelo movimento no geral.

Conforme o tempo se encaminha, e o encerramento se aproxima, é notório o sentimento de saudade que se instala nos participantes, mesmo antes de acabar o evento nós já sentíamos a falta, pois sabíamos que demoraria um ano para o nosso próximo Congresso Brasileiro, mas com isso o sentimento e vontade de disseminar a Língua Internacional só aumenta, para que nas próximas oportunidades mais pessoas possam sentir de verdade o que é ser Esperantista, o que é ser um cidadão não de uma nação, mas sim do mundo.

Esperantistas de Pernambuco: Filipe dos Santos, Wendel Pontes e Vinício de Assis (em pé, da esquerda para a direita), Marton Paulo, Marcionilo Vasconcelos e Bruno (agachados, da esquerda para a direita)

Foto dos congressistas no final do evento