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Como o contato com o Esperanto pode facultar viagens, amizades e a entrada numa comunidade agradável, ligado apenas pela prática de um idioma. Abaixo, vemos o relato do jovem Vinicio de Assis, de Abreu e Lima (Pernabuco), e como sua entrada modesta no movimento esperantista chegou, em poucos meses, a uma viagem gratuita para o maior evento de Esperanto do Brasil.

 

 

 

“Meu primeiro contato com o esperanto foi no ano de 2015, a partir de um curso básico na minha cidade, Abreu e Lima, sendo oferecido pelo esperantista Washington Tavares. A princípio, quando vi a bandeira do Esperanto pensei que era um time de Futebol. Não conhecia o esperanto e nunca tinha ouvido falar, mas meti a cara e fui saber o que era aquela bandeira lá. Me deparo com uma classe de aula, e com várias crianças aprendendo o idioma, e alguns adultos. Neste curso eu cheguei a frequentar cinco aulas somente, mas tive de parar os estudos pois eu tinha começado a trabalhar em um restaurante e não dava para conciliar uma coisa com a outra. Depois destes anos parado, decidi retornar ao estudo do idioma em maio de 2017.

 

Meu retorno foi estranho. Eu estava doente em casa, quando vi alguma coisa na internet sobre o esperanto, me veio a vontade de aprender novamente esse idioma, no mesmo instante fui para o computador para pesquisar algum conteúdo sobre o assunto. Encontrei um grupo de Whatsapp de Esperanto e mandei uma mensagem pra ele, com ajuda de um tradutor automático.

 

Neste mesmo dia o Rodrigo, que é um Esperantista de Natal, me adicionou no grupo Esperanto Nordeste e lá eu tive contato com a BEJO (Associação Brasileira de Jovens Esperantistas). Um rapaz chamado Fernando Jr Maia comentou algo sobre um ônibus que iria de Brasília para Sorriso, uma cidade que sediaria um tipo de encontro nacional de esperantistas. Falei que iria adorar participar do congresso, só que minhas condições financeiras não me permitiriam fazer uma viagem dessa proporção. Foi quando o Fernando Maia falou comigo e disse que achava interessante a minha participação e que poderia me ajudar. Deste ponto a frente foi só alegria, é muita ansiedade, muita ansiedade mesmo, o momento que ele falou que eu iria participar do congresso. Não estava acreditando até que chegou o bilhete eletrônico do avião, nossa eu nunca tinha saído de Pernambuco para nenhum lugar, foi uma das coisas mas maravilhosas que poderia me acontecer. Cheguei a conhecer outros esperantistas de Pernambuco. Fui convidado para ir a Maceió para fazer uma cobertura do Exame do KER EKZAMENO, uma espécie de teste de proficiência no idioma. Foi o meu primeiro salto no mundo do esperanto, meu primeiro evento de Esperanto.

 

Eu que nunca tinha saído de Pernambuco para nada, tive a grande oportunidade de conhecer o estado de Alagoas.

 

No dia 13 de junho era chegado o grande dia, o dia da minha primeira viagem de avião. Eu estava muito ansioso, não somente ansioso mas muito feliz, na hora da decolagem meu coração batia forte como quem diz: “é agora”.

 

O vôo foi tranquilo. Ao chegar em Brasília, fomos direto para o prédio da BEL ( Liga Brasileira de Esperanto). Pegamos um ônibus para Sorriso. Todos estávamos muito cansados devido a viagem longa de ônibus, ficamos em um alojamento chamado de Komuna Loĝejo (alojamento comunitário), um lugar lindo e aconchegante, onde era oferecido um café da manhã. Em seguida, fomos para o congresso.

 

Eu nunca vi tanta gente reunida de tantos lugares do Brasil como nesse congresso, tinha pessoas de Norte a Sul de Leste a Oeste do Brasil. Meu papel nesse congresso foi de voluntário. Ajudei na organização das salas, entregas de matérias e crachás, no “libroservo” (livraria), que adorei de coração: eu nunca tinha trabalhado em uma livraria, foi um sonho realizado, pois amo livros, leituras.

 

Ter esse contato com tantas culturas, tantos sotaques, adorei de coração, participei de algumas palestras, de assembleias e votações. Enfim, adorei o evento. Foi muito rico em diversidades de culturas, costumes, pensamentos, muitas pessoas cultas em um único lugar, um ambiente muito favorável para qualquer pessoa, se eu pudesse não sairia mas daquele lugar... mas tudo tem um fim.

 

Mas o que vale é as experiências vividas, as oportunidades, as novas amizades, as brincadeiras e acima de tudo o aprendizado. Esse congresso foi ótimo, aprendi muita coisa, vou levar comigo eternamente todas as coisas que aprendi,  amizades, as experiências, e tudo”

 

 

Vinicio de Assis

 

Confira algumas fotos da viagem de Vinicio

 

Da esquerda para a direita: 1) Ao lado do quadro de Zamenhof, 2) Na frente do Congresso, 3) Ao lado de Neia, voluntária da livraria da BEL, 4) ao lado de Fernando Maia Jr. Embaixo: 5) ao lado do redator da revista Heroldo de Esperanto, Fabrício Valle, 6) ao lado de Vinícius, outro voluntário do congresso.